Neucimar Fraga terá de convencer a direita antes de pedir o voto
Postado 09/09/2026 06H35
Alianças políticas, aproximações com grupos de diferentes campos e o conflito com Gilvan da Federal colocam em dúvida o espaço de Neucimar dentro do eleitorado conservador capixaba
Jorna Ativa ES
Neucimar Fraga voltou ao PL para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, mas antes de pedir novamente o voto do eleitor capixaba terá de responder a uma questão incômoda: qual é, de fato, o seu projeto político e até onde vai seu compromisso com a direita?
A dúvida não surgiu agora.
Em 2024, Neucimar desistiu da candidatura à Prefeitura de Vila Velha e, posteriormente, apoiou o prefeito Arnaldinho Borgo. Em janeiro de 2025, seu filho, Lucas Fraga, foi nomeado secretário de Turismo do município.
A sequência alimentou especulações nos bastidores sobre uma possível negociação política envolvendo a retirada da candidatura. Também circulam versões sobre um suposto acordo financeiro de R$ 400 mil. Até o momento, porém, não foi localizada documentação pública que comprove esse pagamento ou uma eventual troca de apoio por recursos ou cargos.

Por isso, a informação deve ser tratada como alegação de bastidor, e não como fato. Se houver elementos concretos que sustentem a denúncia, caberá aos órgãos competentes, como Ministério Público Eleitoral e Justiça Eleitoral, apurar a eventual existência de irregularidades.
O problema de Neucimar, entretanto, não está apenas nas alianças municipais.
Pouco depois de ingressar novamente no PL, o ex-prefeito entrou em confronto público com o deputado Gilvan da Federal após criticar Flávio Bolsonaro.
Em maio, Neucimar publicou um vídeo nas redes sociais questionando o pedido de recursos feito por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Na gravação, afirmou que o episódio era uma “decepção” e que não se poderia “passar pano”.

A reação de Gilvan foi imediata. O deputado questionou a chegada de Neucimar ao PL e citou justamente sua proximidade com Arnaldinho Borgo e com o grupo político ligado ao governador Renato Casagrande. Neucimar respondeu e defendeu o direito de criticar lideranças da própria direita. O episódio, porém, deixou uma marca: parte do eleitorado conservador passou a questionar se o candidato está realmente alinhado ao projeto político que pretende representar.
O eleitor quer saber de que lado Neucimar está. A trajetória recente ajuda a explicar a desconfiança.
Neucimar passou por diferentes partidos, desistiu de uma candidatura majoritária, apoiou Arnaldinho Borgo e, posteriormente, retornou ao PL para disputar uma eleição federal. Nenhuma dessas decisões, isoladamente, é irregular. Mas, juntas, levantam uma questão política legítima: quando as alianças mudam, qual é o projeto que permanece?

Esse questionamento ganhou ainda mais força depois do confronto com Gilvan e das críticas a Flávio Bolsonaro. Para o eleitor de direita, não basta uma filiação ao PL. É preciso demonstrar coerência e deixar claro quais são os compromissos políticos que serão mantidos depois da eleição.
Ainda há um caminho a percorrer
Neucimar tem experiência eleitoral e já ocupou cargos importantes. Mas experiência não significa voto garantido.
Em 2026, ele terá de disputar espaço dentro do próprio campo conservador, ao lado de outros candidatos que também reivindicam a confiança do eleitor de direita.
E esse talvez seja o maior desafio de sua candidatura.
Antes de convencer o eleitor a votar nele para deputado federal, Neucimar terá de convencer uma parte da própria direita capixaba de que sua candidatura representa convicção política, e não apenas uma nova etapa de sua trajetória de alianças.
As perguntas estão colocadas.
Cabe ao candidato respondê-las. E cabe ao eleitor decidir se as respostas são suficientes.
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