Ausência de Pazolini em ato de 7 de Setembro expõe tensão entre candidatura e base bolsonarista
Postado 08/09/2026 19H47
Apoiadores e lideranças do PL esperavam a presença do candidato ao Governo do Estado na tradicional marcha pela Terceira Ponte. Ausência reacende questionamentos sobre sua relação com a militância bolsonarista.
Por Charles Manga
A ausência de Lorenzo Pazolini (Republicanos) na manifestação de 7 de Setembro na Grande Vitória frustrou parte dos participantes e voltou a expor uma questão que acompanha sua pré-candidatura ao Governo do Espírito Santo: qual será, afinal, o grau de comprometimento do candidato com a militância bolsonarista que integra sua aliança eleitoral?
Pazolini era esperado na tradicional travessia da Terceira Ponte, mas não participou do ato. A ausência ganhou repercussão especialmente porque a mobilização foi liderada pelo PL, partido que integra formalmente sua aliança e indicou a bispa Eliane Leal para a vaga de vice na chapa.
A expectativa entre apoiadores era de que a presença do candidato reforçasse publicamente sua aproximação com o eleitorado de direita, sobretudo em um momento em que Pazolini busca consolidar sua candidatura ao Palácio Anchieta.
PL mobiliza militância
O senador Magno Malta, presidente estadual do PL, participou da manifestação e esteve entre as principais lideranças do ato, acompanhado da filha, Maguinha Malta.
A presença da cúpula estadual do partido contrastou com a ausência do principal nome da aliança na disputa pelo Governo do Estado.
A mobilização também recebeu apoio de lideranças nacionais. O senador Flávio Bolsonaro divulgou mensagens convocando os capixabas para o ato, reforçando a conexão da manifestação com o campo bolsonarista.
Durante a tarde, milhares de manifestantes ocuparam a Terceira Ponte em direção à Praça do Papa, em Vitória. Entre as principais pautas estavam a defesa da anistia aos condenados e presos pelos atos de 8 de janeiro e críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma ausência com peso político
A ausência de Pazolini ganha relevância pelo contexto eleitoral.
O ex-prefeito de Vitória construiu sua trajetória política associado a pautas conservadoras e, para 2026, estabeleceu uma aliança formal com o PL. Também declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Ao mesmo tempo, Pazolini tem adotado uma postura mais moderada em relação à exposição pública de sua ligação com o grupo bolsonarista. Em diferentes momentos, sinalizou que pretende utilizar essa associação eleitoralmente de acordo com a estratégia de campanha.
É justamente nesse equilíbrio que surge o principal desafio político.
Pazolini precisa ampliar seu eleitorado para além da direita mais identificada com Bolsonaro, mas também depende da militância conservadora para sustentar sua candidatura e sua aliança com o PL.
A ausência na manifestação da Terceira Ponte reforça o questionamento sobre como pretende conciliar essas duas frentes.
O incômodo dentro da direita
Para setores mais próximos da militância bolsonarista, a participação em manifestações públicas é mais do que uma agenda eleitoral. É uma demonstração de identidade e compromisso político.
Por isso, a ausência de Pazolini foi recebida com frustração por parte dos apoiadores que esperavam vê-lo ao lado das principais lideranças do PL.
O episódio também recupera críticas anteriores de grupos conservadores que apontam uma postura considerada distante de Pazolini em manifestações de rua ligadas ao campo bolsonarista.
Não significa, necessariamente, um rompimento político. Mas evidencia uma diferença de comportamento entre o candidato e parte da militância que compõe sua base de apoio.
O dilema de Pazolini
A aliança com o PL colocou Pazolini diante de uma equação eleitoral delicada.
De um lado, o candidato precisa manter o apoio do eleitorado bolsonarista e das lideranças do partido que ocupa a vice em sua chapa.
De outro, busca ampliar seu alcance eleitoral e preservar espaço entre eleitores que não necessariamente se identificam com manifestações mais contundentes do bolsonarismo.
Essa estratégia pode ser eleitoralmente racional, mas também produz cobranças dentro da própria base.
Para uma parcela da direita, não basta uma aliança formal, uma declaração de apoio ou a presença de aliados na chapa. A expectativa é que o candidato também esteja presente nos momentos considerados simbólicos pelo movimento.
A manifestação de 7 de Setembro foi um desses momentos.
A pergunta que fica
A ausência de Pazolini, isoladamente, não determina o futuro de sua candidatura nem significa um afastamento do PL ou do bolsonarismo.
Mas, politicamente, ela produz um questionamento que tende a acompanhar a campanha:
até onde Pazolini está disposto a se comprometer publicamente com a militância bolsonarista que hoje sustenta parte importante de sua candidatura?
A resposta será estratégica para o candidato. Se avançar demais na identificação com o bolsonarismo, pode enfrentar dificuldades para ampliar sua base eleitoral.
Se mantiver distância excessiva dos atos e símbolos valorizados pela direita, corre o risco de desagradar justamente a parcela do eleitorado que hoje representa um dos pilares de sua aliança. A manifestação da Terceira Ponte mostrou que esse equilíbrio continua sendo um dos principais desafios de Pazolini na corrida pelo Palácio Anchieta.
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