Pinheiros celebra 62 anos de emancipação com desfile que reúne tradição, música e participação de várias cidades

Desbravadores de Vila Velha, grupos de Colatina e São Mateus e bandas de diferentes municípios marcaram a celebração do 7 de Setembro no norte capixaba

PINHEIROS (ES)

A cidade de Pinheiros, no extremo norte do Espírito Santo, transformou as comemorações do 7 de Setembro de 2026 em uma grande celebração de patriotismo, cultura, educação e história. Além de lembrar a Independência do Brasil, o município viveu um momento especial ao celebrar os 62 anos de sua emancipação político-administrativa.


O desfile cívico levou para as ruas estudantes, professores, entidades, bandas marciais e grupos convidados de diferentes municípios. Entre os participantes estavam representantes de Colatina, São Mateus e outras cidades capixabas, além de bandas que vieram de fora do Espírito Santo, incluindo grupos da Bahia.


A diversidade de participantes deu ao evento uma dimensão regional, transformando a celebração em um encontro de culturas e tradições. Entre as representações que vieram de longe estava uma delegação de Vila Velha, formada por integrantes da Associação Sul-Espírito-Santense, por meio dos Desbravadores da Região Tupi, com participação do Clube de Desbravadores Leão de Judá, da Igreja Adventista do Sétimo Dia.


De Vila Velha para Pinheiros: uma viagem que começou às 4 horas da manhã
A participação da delegação de Vila Velha exigiu uma operação que começou ainda durante a madrugada. Dois ônibus fretados com apoio da Prefeitura de Pinheiros partiram de Vila Velha às 4 horas da manhã, levando crianças, adolescentes e líderes que participariam do desfile.
Depois de aproximadamente sete horas e meia de viagem, o grupo chegou a Pinheiros por volta das 11h30. A recepção foi organizada para que os visitantes tivessem condições de descansar, se alimentar e se preparar para a programação da tarde. A delegação foi acolhida na Escola Municipal de Ensino Fundamental Governador Lindemberg, onde recebeu almoço e suporte para higiene e organização antes de seguir para o local do desfile.


O apoio oferecido pelo município foi fundamental para uma delegação que havia iniciado a jornada ainda de madrugada e que, poucas horas depois de chegar à cidade, precisaria estar pronta para representar Vila Velha em uma das principais celebrações cívicas de Pinheiros. O prefeito Edilson Morais Monteiro esteve à frente da administração municipal durante a organização das comemorações. Documentos oficiais do município confirmam que Monteiro exerce o mandato de prefeito no período de 2025 a 2028.

Um encontro de cidades e culturas
O desfile deste ano mostrou que a celebração de Pinheiros ultrapassou os limites do município.
A presença de grupos de Colatina, São Mateus, Vila Velha e de outras localidades fez com que a avenida se transformasse em um grande ponto de encontro entre diferentes comunidades.


As bandas deram o tom musical à programação, com apresentações que misturaram disciplina, coreografia e repertórios próprios das fanfarras e bandas marciais. A participação de grupos vindos da Bahia ampliou ainda mais o alcance do evento, trazendo para Pinheiros a musicalidade e a tradição de outras regiões brasileiras. O resultado foi um desfile marcado pela diversidade: escolas municipais, entidades, grupos juvenis, bandas e convidados ocuparam o espaço destinado à celebração da Pátria.
A presença dos Desbravadores


Os desbravadores, apresentou ao público pinheirense uma das características mais conhecidas do movimento: a combinação de disciplina, organização, espírito de equipe, liderança juvenil e serviço à comunidade. Com crianças e adolescentes em formação, acompanhados por seus líderes, a delegação representou uma proposta de educação que procura desenvolver responsabilidade e cidadania por meio de atividades práticas e comunitárias.


Pessoas vindas de diferentes regiões, também encontram um curioso paralelo na própria história de Pinheiros. Segundo registros históricos da Prefeitura, a ocupação da região ganhou força a partir da década de 1940, inicialmente com a exploração das grandes áreas de mata existentes no território.
Os primeiros exploradores chegaram de São Mateus, passando pela região de Itauninhas. Posteriormente, ainda naquela década, chegaram pioneiros procedentes de Minas Gerais e da Bahia, muitos interessados em adquirir terras para a formação de fazendas. O povoamento passou por diferentes nomes antes de chegar à denominação atual. A região foi inicialmente conhecida como Capinado e depois como São João do Sobrado. Em 1955, o povoado foi elevado à condição de distrito de Conceição da Barra, recebendo oficialmente o nome de Barrinha.
O nome Pinheiros surgiu posteriormente, em homenagem a José Pinheiro Gama, um dos personagens ligados à formação do povoado. A emancipação representou o passo seguinte. Em 22 de abril de 1964, o município foi oficialmente instalado em solenidade realizada no Palácio Anchieta, em Vitória, com a posse de Adelar Xavier como prefeito provisório. Desde então, 22 de abril passou a marcar o aniversário de Pinheiros.
É essa trajetória de 62 anos de município instalado que também foi celebrada em 2026.
O desfile como espaço de educação

A participação da terceira idade foi outro elemento importante da programação.

O desfile cívico tradicionalmente transforma as ruas da cidade em um grande espaço de apresentação das atividades desenvolvidas durante o ano letivo. Estudantes e professores deixam temporariamente as salas de aula e passam a ocupar as ruas, apresentando projetos, temas culturais, históricos e sociais.
Em 2025, por exemplo, o desfile reuniu aproximadamente 3 mil participantes, distribuídos em cerca de 40 conjuntos, além de aproximadamente 7 mil pessoas acompanhando a programação. Naquele ano, 12 bandas marciais de Pinheiros e de outros municípios participaram do evento. A edição de 2026 manteve essa característica de integração e ampliou o caráter regional da festa com a participação de delegações de outros municípios e de bandas convidadas.
Uma celebração que aproxima o norte capixaba

A presença de grupos de diferentes cidades também reforça uma característica importante do desfile: a capacidade de Pinheiros de receber visitantes e transformar uma celebração municipal em um encontro regional.
Para quem veio de Vila Velha, Colatina ou São Mateus, a viagem significou levar um pouco da própria história para uma cidade que, desde sua origem, também foi construída pela chegada de pessoas de diferentes lugares. No caso dos Desbravadores, a jornada teve ainda outro significado. A saída de madrugada, a longa viagem, o acolhimento, a preparação e a participação na cerimônia fizeram parte de uma experiência coletiva que envolveu não apenas os jovens, mas também seus familiares, líderes e todos aqueles que contribuíram para tornar possível a viagem.
Um 7 de Setembro para ficar na memória
Ao longo do percurso, o desfile reuniu gerações.
Crianças e adolescentes participaram ao lado de professores, líderes comunitários, músicos e representantes de entidades. As bandas deram movimento e ritmo à apresentação, enquanto as escolas e organizações trouxeram diferentes mensagens para o público. Para Pinheiros, a data teve um significado duplo: celebrar a Independência do Brasil e homenagear uma história municipal que chegou aos 62 anos de emancipação e instalação. Para os visitantes, foi uma oportunidade de participar da história de outra cidade e, ao mesmo tempo, mostrar o trabalho desenvolvido em suas próprias comunidades.


Por Charles Manga - Jornal Ativa ES

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