Bastidores da Política Capixaba: Pressões Nacionais Recuam Pré-Candidaturas ao Governo e Senado no ES
Postado 28/03/2026 05H40
Por Charles Manga – Rádio Ativa ES
Os bastidores da política no Espírito Santo estão cada vez mais movimentados e marcados por articulações silenciosas vindas das cúpulas nacionais dos partidos. Informações obtidas por fontes internas indicam que nomes que vinham se consolidando como pré-candidatos ao Governo do Estado e ao Senado Federal foram diretamente impactados por decisões superiores das direções partidárias em Brasília.
Euclério Sampaio recua após pressão do MDB nacional
No MDB, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, protagonizou uma movimentação intensa nos últimos meses, com entrevistas em emissoras de TV, rádios e veículos digitais, onde se colocava como pré-candidato ao Senado.
No entanto, segundo fontes ligadas ao partido, após a repercussão de suas declarações, Euclério teria recebido um contato direto da executiva nacional do MDB, orientando-o a recuar da disputa. O motivo seria a definição prévia da legenda por uma candidatura já estabelecida no Estado.
Nos bastidores, a mensagem teria sido clara:
“O MDB já tem sua candidata no Espírito Santo, e ela se chama Rose de Freitas.”
Após o episódio, Euclério mudou o tom. Em pronunciamentos mais discretos, passou a afirmar, que esta abrindo mão de disputar a vaga para o Senado, para abrir possibilidade da Federação PP e União Brasil, lançar o nome a candidatura para o Senado do Deputado Federal Da Vitória.
“Não serei candidato ao Senado porque amo Cariacica.”
Analistas políticos avaliam que a declaração foi uma estratégia para preservar sua imagem diante de um recuo imposto pela direção nacional do partido.
Arnaldinho Borgo desiste de disputa ao Governo após articulação em Brasília
Situação semelhante ocorreu em Vila Velha. O prefeito Arnaldinho Borgo, que vinha se apresentando como possível candidato ao Governo do Estado, também recuou após movimentações internas no PSDB.
Arnaldinho chegou a ir a Brasília, onde se reuniu com o presidente nacional da legenda, Aécio Neves, colocando-se à disposição para disputar o governo estadual. Apesar da exposição e do discurso de protagonismo, na última semana o prefeito anunciou sua desistência, declarando:
“Pensei bem e vou me dedicar à minha cidade, Vila Velha.”
Fontes de Brasília indicam que houve resistência dentro do partido quanto à consolidação de seu nome. Nos bastidores, comentários apontam dúvidas sobre sua firmeza política para liderar uma candidatura estadual.
A assessoria de Aécio Neves informou que não comentará o caso, para não interferir nos planos partidários no Espírito Santo.
Além disso, o rompimento político com o governador Renato Casagrande teria afetado a base de apoio de Arnaldinho, gerando desgaste interno e questionamentos no cenário político local.
Pazolini segue como nome ativo na disputa estadual
Enquanto isso, em Vitória, o prefeito Lorenzo Pazolini mantém sua pré-candidatura ao Governo do Estado.
Pazolini tem buscado fortalecer sua imagem junto ao eleitorado conservador, com aproximações públicas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, numa estratégia clara de alinhamento político. O prefeito também enfrentou desgaste recente envolvendo sua vice-prefeita, Cris Samorini, após repercussão de uma viagem oficial, tema amplamente debatido na mídia ao longo de 2025. Apesar disso, ele segue articulando sua candidatura e ampliando sua presença no cenário estadual.
Cenário indefinido, incertezas e poucas opções fortes para 2026
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o cenário político capixaba para 2026 ainda é incerto e carece de nomes com forte consenso popular. Comparações com lideranças como Paulo Hartung e o atual governador Renato Casagrande são frequentes, reforçando a percepção de que o Estado pode enfrentar uma eleição com menos protagonismo político.
Nos bastidores, os impasses continuam, e as decisões mais relevantes parecem, cada vez mais, concentradas nas direções nacionais dos partidos. A movimentação recente revela um cenário em que as lideranças locais enfrentam limites impostos pelas cúpulas partidárias nacionais. O resultado é um tabuleiro político ainda indefinido, com pré-candidaturas sendo lançadas e recuadas rapidamente, aumentando a incerteza para o eleitor capixaba nas eleições de 2026.
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