PRF mata a tiros a namorada, comandante da Guarda Municipal de Vitória

Por Charles Manga

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi assassinada a tiros na madrugada desta segunda-feira (23) pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que em seguida tirou a própria vida. O caso, ocorrido na capital capixaba, é tratado pelas autoridades como feminicídio.

Crime ocorreu dentro da residência da vítima

De acordo com as primeiras informações, o crime aconteceu por volta de 1h da manhã, na casa de Dayse, localizada no bairro Caratoíra, em Vitória. A comandante foi atingida por cinco disparos na cabeça e morreu ainda no local.

O delegado-chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Fabrício Dutra, afirmou que todos os indícios apontam para um caso de feminicídio. Segundo ele, o autor do crime não aceitava o fim do relacionamento, encerrado recentemente pela vítima.

Comportamento controlador e sinais de violência

A delegada Raffaella Aguiar destacou que, após o crime, surgiram diversos relatos sobre o comportamento abusivo de Diego durante o relacionamento. “As primeiras informações são de que ele não aceitava o fim do relacionamento. Não tinha nada formalizado. Agora, depois que aconteceu o crime, começaram as pessoas a comentar que ele era ciumento, possessivo, extremamente controlador. É importante que outras mulheres percebam que a violência não começa no momento do disparo. Ela começa no primeiro controle”, afirmou.

Crime teria sido premeditado

A Polícia Civil acredita que o assassinato foi planejado. Vestígios encontrados na cena indicam que o policial levou ferramentas para invadir a residência.

Segundo a delegada, Diego utilizou uma escada e arrombou a porta da casa.

“Ele levou ferramentas para romper a porta, levou uma escada. Isso demonstra planejamento para executar o crime”, explicou Raffaella Aguiar.

Histórico de ameaças

Familiares da vítima relataram que o relacionamento era conturbado e marcado por episódios de violência. O pai da comandante, Carlos Roberto Trindade Teixeira, afirmou que o agressor já havia feito ameaças anteriormente.

“Ele ameaçava ela. Já tinha quebrado o trinco do portão, pegou a arma dela para intimidá-la. Eu consegui intervir, mas o relacionamento deles era cheio de discussões e violência. Eu aconselhava minha filha a terminar, mas ela não me ouvia”, lamentou.    Dois dias antes do crime, Dayse havia trocado as fechaduras da casa. Ainda assim, segundo a polícia, o autor conseguiu invadir o imóvel utilizando uma escada.

Prefeitura decreta luto oficial 

A Prefeitura de Vitória lamentou profundamente a morte da comandante e decretou luto oficial de três dias. Em nota, destacou a trajetória de Dayse Barbosa como uma profissional exemplar, reconhecida pela dedicação, ética e compromisso com a segurança pública. A administração municipal também ressaltou sua atuação firme na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero. “Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público. A memória de Dayse permanecerá como inspiração para todos”, diz o comunicado.

 Um caso que reforça o alerta

O assassinato de Dayse Barbosa reacende o alerta sobre a escalada da violência contra a mulher e evidencia como sinais de controle, ciúmes excessivos e comportamento possessivo podem evoluir para crimes graves. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

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