Reportagem de Alerta: “O Estado do Jornalismo e a Mídia Clandestina no Espírito Santo”
Postado 02/03/2026 07H43
Por um jornalismo ético e responsável, em defesa da informação confiável
Por Charles Manga
@radioativaes
Vivemos um momento crítico da comunicação social no Espírito Santo e no Brasil. A revolução digital transformou os meios de produzir e difundir informação, mas não apenas para melhor. Junto com ferramentas abertas ao público surgiram fontes de “notícias” sem responsabilidade, sem ética e sem preparo técnico, muitas assinadas por indivíduos sem formação, sem estudos mínimos, e que exploram a credulidade de parte da sociedade.
Esses chamados jornalistas, muitos sem sequer possuir o ensino fundamental completo, conseguem hoje registro profissional e, com isso, legitimidade aparente para publicar notícias em seus próprios blogs e sites que, em boa parte dos casos, propagam informações falsas e prejudiciais.
O mais preocupante não é apenas a baixa qualificação desses produtores de conteúdo, mas o uso desses meios informais para influenciar a opinião pública, favorecer candidatos em eleições, ou ainda promover matérias pagas e não declaradas como publicidade, violando os princípios mais básicos da ética jornalística.
O limite legal sobre o exercício do jornalismo no Brasil
No Brasil, desde 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não é obrigatório ter diploma universitário para exercer a profissão de jornalista. A Corte entendeu que a exigência de diploma violava princípios constitucionais de liberdade de expressão e de manifestação do pensamento, tornando facultativa a formação acadêmica específica para o exercício da atividade jornalística. Essa decisão legal não quer dizer que qualquer pessoa possa inventar fatos ou publicar notícias falsas impunemente, apenas que formalmente não se exige mais diploma para produzir conteúdo informativo.
Ética jornalística, o que ela exige?
A ética jornalística é um conjunto de princípios que orientam a atividade profissional, incluindo:
Verificação de fatos antes da publicação;
Separação clara entre opinião e notícia;
Responsabilidade com a verdade;
Transparência sobre fontes e conflitos de interesse.
Esses valores são ensinados nas universidades e incorporados em códigos de conduta profissional. Eles são essenciais para manter a confiança do público em um meio que, por sua própria natureza, precisa ser crível, transparente e responsável. Quando alguém se autodenomina jornalista em um blog pessoal, sem formação, sem compromisso ético e sem preparo técnico, não pratica jornalismo profissional, pratica opinião pessoal disfarçada de notícia, o que incentivamos que seja denunciado.

Dados que preocupam: desinformação e falta de preparo
Especialistas e entidades ligadas ao jornalismo ressaltam que a retirada do diploma como requisito mínimo acabou abrindo espaço para a proliferação de conteúdos de baixa qualidade, sem critérios jornalísticos, e que muitas vezes propagam desinformação e notícias falsas (fake news). Esse cenário contribui para a perda de confiança no jornalismo como instituição social vital para a democracia. É importante destacar que, apesar de qualquer pessoa poder publicar notícias, isso não lhe confere o direito de mentir deliberadamente, caluniar ou difamar, essas práticas já configuram crimes na legislação brasileira.
A opinião de quem forma profissionais
Em instituições sérias de ensino e pesquisa, como a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o jornalismo é ensinado como ciência da informação e prática profissional. O atual reitor da UFES, Eustáquio Vinícius Ribeiro de Castro, e sua equipe lideram uma instituição que forma profissionais preparados para atuar com padrão técnico e ético reconhecido, ao contrário da oferta digital informal e não regulamentada.

Alerta à sociedade e às instituições de imprensa
Cabe agora às veículos de comunicação tradicionais e credenciados no Espírito Santo, jornais, rádios, TVs e portais com documentação regular, estar atentos à proliferação de mídias clandestinas que se apropriam de símbolos jornalísticos sem ter a formação, a responsabilidade e o compromisso com a verdade.
É preciso:
✔️ Identificar e denunciar sites que disseminam fake news;
✔️ Promover a educação midiática na sociedade;
✔️ Defender o jornalismo ético e a responsabilidade informativa;
✔️ Alertar políticos e candidatos para não usarem esses canais como instrumentos de propaganda clandestina;
✔️ Exigir mais transparência na produção de conteúdo na internet.
Conclusão: pela defesa da informação verdadeira
Um jornalismo de qualidade é peça-chave para uma sociedade democrática e saudável. Ele não deve ser confundido com blogs improvisados que se aproveitam da ausência de barreiras legais para disseminar desinformação. A liberdade de expressão não pode se transformar em um salvo-conduto para a mentira.
Precisamos defender com firmeza:
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A ética jornalística;
A responsabilidade de quem publica notícias;
O direito do público a informações verdadeiras.E jamais permitir que a internet se torne o refúgio de falsos “jornalistas” que, por preguiça, inveja ou oportunismo, tentam borrar a linha que separa fato de ficção.
Por Redação Ativa ES
@radioativaes
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