Do sonho profissional ao chamado missionário: jovens iniciam Um Ano em Missão em Manaus
Em 2026, a região Noroeste recebe a equipe de missionários selecionada pela sede sul-americana adventista (Foto: Henrique Rodrigues)
Ao longo do ano, grupo de 60 missionários atuará ativamente na região Noroeste com ações sociais e evangelísticas
A rotina de estudos de quem se prepara para passar em um concurso é intensa. Durante um ano, Iêda Gonçalves trabalhava durante o dia, estudava na madrugada e ia à academia à noite. Quatro horas diárias de estudo e muita disciplina foram necessárias para alcançar seu objetivo.
A tão sonhada aprovação chegou e a alegria foi grande, mas não foi completa. No fundo, ela sabia que faltava algo. Um mês depois de ser aprovada no concurso para a Polícia Militar, Iêda se sentiu fortemente chamada para participar do projeto Um Ano em Missão, e aceitou. “Eu tive que deixar a minha vontade de lado, para atender ao convide do Senhor de salvar pessoas”, ressaltou.
Histórias como a dela se cruzaram em Manaus durante a chegada dos jovens selecionados para o projeto Um Ano em Missão, ou One Year in Mission (OYiM), iniciativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia que mobiliza jovens para atuar em diferentes comunidades, levando esperança por meio de ações sociais e espirituais.
Treinamento para a missão
Durante 20 dias, o grupo de 25 jovens estará em treinamento no Instituto de Missões Noroeste. Eles participam do projeto pelo segundo ano consecutivo e foram escolhidos pela sede sul-americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Divisão Sul-Americana. “Todos os anos, nós observamos aqueles jovens que tiveram melhor desempenho nas equipes de OYiM de cada região e damos a eles a oportunidade de retornarem para mais um ano de atividades em alguma localidade da América do Sul. Este ano escolhemos a cidade de Manaus para receber esse grupo seleto”, explica o pastor Carlos Campitelli, líder dos jovens adventistas para oito países da América do Sul.
Além deles, mais 35 jovens estão fazendo parte do projeto pela primeira vez, selecionados pelos líderes da Igreja de cada estado da região Noroeste da Igreja Adventista do Sétimo Dia (que inclui Acre, Rondônia, Amazonas e Roraima). Eles serão divididos em quatro equipes e atenderão diferentes cidades em 2026.
“Vocês não estão aqui para fazer turismo. Pelo contrário, vocês precisam estar preparados para serem muito frustrados durante o ano. Porque a pregação do evangelho não é algo fácil. Mas a frustração tem um papel fundamental na vida das pessoas e vai fazer vocês sairem daqui muito mais fortes para realizar a obra que Deus te ordenou”, destacou o pastor Campitelli ao se dirigir aos participantes.

Em um momento simbólico, os jovens foram divididos em equipes para uma oração de consagração dos líderes e, em seguida, dos missionários. As equipes também se separaram para discutirem as ações, necessidades e características de suas respectivas áreas de trabalho. Nos próximos dias, o grupo deve aprender sobre a cultura local, técnicas de ensino da Bíblia e habilidades práticas essenciais para o que irão desenvolver.
Primeiro contato com a comunidade
Ainda no primeiro final de semana de treinamento, todas as equipes se uniram para a primeira ação missionária do ano. O local escolhido foi o bairro Armando Mendes, na Zona Leste de Manaus, que será atendido pela equipe de OYiM da sede sul-americana adventista ao longo de 2026.
No sábado, dia 7, cerca de 60 missionários saíram às ruas distribuindo livros, picolés e orando com os moradores. “O objetivo desse primeiro contato foi apresentar quem são eles e abrir portas para futuras aproximações, criando vínculos de confiança com a comunidade”, comentou o pastor Arôvel Lima, diretor dos jovens adventistas na região Noroeste do Brasil.

Missão como projeto de vida
Para Iêda, a escolha feita dois anos atrás ganhou ainda mais significado ao ter sido selecionada pela Divisão Sul-Americana para realizar em 2026 o seu segundo ano em missão. Os sonhos que antes ocupavam seu coração deram espaço para um novo estilo de vida: viver para Jesus. “Eu espero para esse ano e para todos os outros, que eu seja muito usada por Deus, e que Ele direcione o meu caminho até as pessoas que precisam conhecê-Lo”, refletiu.
Elane Sousa também viveu a transformação da própria vida quando passou a se dedicar à missão. Para ela, a parte mais difícil é permanecer longe da família, mas apresentar Jesus às pessoas torna qualquer desafio superável. “A vida que eu tinha antes de vir para a missão precisou ser mudada para que eu pudesse viver e servir completamente em outro lugar [...]. Espero viver um ano de muito aprendizado e ensinamentos, cumprir o chamado de Deus, construir amizades e colecionar testemunhos”, pontuou.
Já Gustavo de Melo Souza tem vivido milagres e percebeu que enquanto ele cuida das coisas de Deus, Deus tem sustentado sua família. “A pobreza, fome ou falta de roupas não são novidades na minha casa, mas depois que entregamos nossas vidas nas mãos de Deus, Ele vem provendo o que falta”, reconheceu.


